Territórios que se entrelaçam
Monção e Melgaço consolidam uma vizinhança marcada pela história, cultura e geografia. Mais do que limites administrativos, estes concelhos funcionam como elementos identitários que aproximam, moldam e definem comunidades. A simbiose entre territórios tão semelhantes quanto complementares — impulsionada pelo vinho — permite destacar as especificidades geográficas, climáticas, culturais e históricas, criando um terroir singular, expressão que captura algo que “território” dificilmente traduz.

O peso da história
A cada passo, o passado revela-se nas ruínas castrejas, nos vestígios romanos e medievais, nas muralhas fortificadas e nas casas senhoriais. Até as construções da emigração da segunda metade do século XX funcionam como documentos vivos, abertos a múltiplas leituras. A pesca nas ancestrais pesqueiras do Minho, o contrabando, as dinâmicas de fronteira, a agricultura e o vinho foram, durante séculos, elementos estruturantes do carácter desta região.

O tempo do vinho
Hoje, é a vinha que dá sentido existencial ao território. Sempre presente — para consumo próprio ou como atividade económica complementar —, a casta branca Alvarinho conquistou protagonismo e robustez, tornando-se não apenas produto, mas cultura, elo social e paixão assumida.

Vinhas que contam histórias
O cultivo mantém-se essencialmente familiar. Pequenos produtores fornecem uvas a quintas e denominações, perpetuando vínculos antigos e reforçando a personalidade do Alvarinho de Monção e Melgaço. Com a chegada de grandes actores do panorama vinícola nacional, o que se evidencia não é a descaracterização, mas o reforço destes laços. É essa alma singular que eleva o Alvarinho ao seu lugar de destaque, conferindo-lhe personalidade distinta e valor duradouro.

Viver o território
Monção e Melgaço não se atravessam apenas: vivem-se. Entre paisagens, vinhas e memórias, cada momento aqui é convite a compreender o tempo, a história e a cultura que moldam este extremo noroeste de Portugal.