Partida da Branda da Aveleira
O percurso inicia-se na Branda da Aveleira, um aldeamento de montanha de carácter idílico, e atravessa o rio Vez, ainda jovem e incipiente, em direção à Branda do Furado. Daqui, a subida conduz ao ponto de contemplação do Glaciar do Alto Vez, prosseguindo depois por um estreito carreiro que resiste, com dignidade quase heroica, ao avanço persistente do matagal, até às ruínas de mais uma branda: De Real.

O universo das brandas
As brandas — satélites das aldeias principais, por vezes situadas a considerável distância — eram espaços de ocupação sazonal, frequentados sobretudo durante o verão, quando a montanha se tornava lugar de vida e de trabalho.
Aqui, cada pedra, cada caminho e cada clareira recorda práticas de vida que, geração após geração, moldaram a paisagem.

A abertura do caminho
A partir deste ponto, o percurso abre-se, desimpedido e bem delineado. Gradualmente, a paisagem de beleza irrepreensível ganha amplitude, imponência e profundidade.
As formas tornam-se mais vigorosas, as sombras mais abundantes, e o quadro natural intensifica o seu magnetismo, acabando por dominar completamente o olhar e o espírito.

No topo do Pedrinho
Lá no alto, alcançado o marco geodésico do Pedrinho, é o vento que impera — cortante, persistente. Em redor, o horizonte revela-se em puro fulgor, como um resquício cintilante de eternidade.
O olhar perde-se entre as montanhas graníticas da Peneda, os montes voluptuosos e longínquos da Galiza, as encostas escarpadas do Vez e os vales amplos do Mouro e do Minho.

A vida que habita o território
Enquanto isso, o gado e os equídeos pastam tranquilamente, perfeitamente adaptados à aridez e à severidade deste lugar magnífico. A aspereza do território parece fazer já parte da sua própria natureza, numa harmonia silenciosa que integra o ser vivo e o espaço em perfeita consonância.