Habitar o tempo: uma outra forma de viajar no Alto Minho

Mais que turismo: criar uma relação com o lugar

We Want Green não é um produto turístico convencional. É uma forma de trabalhar com o território, o tempo e as culturas vividas. Enraizado no Alto Minho, no extremo noroeste de Portugal, o projeto olha para paisagens moldadas ao longo de séculos pela presença humana, práticas agrícolas e ritmos sazonais. Aqui não se trata de lugares intocados ou idealizados, mas de territórios habitados, onde cultura, natureza e vida quotidiana permanecem profundamente interligadas.

Turismo cultural de profundidade no Alto Minho

Viajar connosco é optar por permanecer mais tempo num lugar, mover-se a um ritmo humano e aceitar que compreender uma paisagem exige tempo, atenção e, por vezes, repetição. O turismo cultural de profundidade não se mede pelo conforto, luxo ou ritmo acelerado do lazer, mas pela abertura ao encontro, ao silêncio e ao inesperado.

Experiências de pequena escala e atenção ao detalhe

As experiências são cuidadosamente concebidas à pequena escala. Não existem itinerários rígidos nem intenção de estandardizar aquilo que é, por natureza, contextual e relacional. Cada percurso é construído em torno de um lugar específico, de uma determinada estação e das pessoas que habitam esse território.

Paisagens vivas, não simples cenários turísticos

O nosso trabalho não se baseia na visita ou no consumo de experiências. As paisagens não são cenários, mas espaços culturais moldados pelo trabalho, pela memória e pela continuidade. A sustentabilidade aqui não é um rótulo, certificação ou promessa de impacto; é uma relação contínua com os lugares e as pessoas, baseada na contenção, presença prolongada e respeito pelos limites de cada território.

Viajantes atentos, curiosos e presentes

We Want Green não se dirige a todos. Destina-se a viajantes experientes, que procuram profundidade cultural em vez de pontos de interesse. A quem demonstra curiosidade, atenção e disponibilidade para se relacionar com os lugares tal como são, e não como são promovidos.

Uma reflexão contemporânea sobre o ato de viajar

O projeto integra-se numa reflexão mais ampla sobre viajar na Península Ibérica: como atravessar territórios sem deles extrair, como permanecer atento ao que já existe e como viajar de forma a deixar espaço para a continuidade em vez da rutura.

Carlos Afonso

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